sábado, 13 de março de 2010

Assistindo a novela Viver a Vida ouvi o "Jorge" dizer que estava de luto, pois acabara de terminar um longo relacionamento e aquilo era como se significasse que a pessoa tivesse morrido. Não há mais aquela convivência. Não se troca mais confidências, preocupações, opiniões.
Ele está certo. Não se sabe mais sobre a vida da pessoa. Você não fica mais sabendo das conquistas, derrotas, decepçoes, alegrias. Do outro lado é recíproco, você também não mais compartilhará de sua vida com aquela pessoa. É como se um pedaço de vc, de sua vida, tivesse ido embora junto. Há um vazio. Talvez nunca mais se encontrarão novamente.
É como se a pessoa não mais existisse.
Em outros casos, mesmo quando ainda se mantém o contato, por mais mínimo que seja, é como se nunca tivessem tido algum tipo de relacionamento intenso antes. É como se a vida toda tivessem sido só amigos.
Tudo fingimento, como se tivessem passado uma borracha no passado.
Pelo menos é o que parece ser.
Por dentro, a sensação, certamente, é outra. Mas como nunca ninguém dará o braço a torcer, até por amor próprio, assim tudo seguirá.

Fica o trecho de um livro de Paulo Coelho que, por sinal, é interessante porque tem um inesperado final feliz, contradizendo até a opinião a seguir transcrita, ou confirmando-a, talvez, vez que a exceção só confirma a regra.

"(...)E um dia, um cara vai me pedir em casamento. Ele vai ser amável e meus pais vão ficar felizes. No primeiro ano, vamos fazer amor o tempo todo. No segundo e no terceiro, cada vez menos. Mas, quando começarmos a enjoar um do outro, vou ficar grávida. Criar filhos, manter o emprego, pagar a hipoteca vai manter nossa estabilidade por uns tempos. E aí, uns dez anos depois, ele terá um caso porque estarei ocupada demais e cansada demais. E eu vou descobrir. Vou ameaçar matá-lo, matar sua amante e me matar. Nós vamos superar isso. E alguns anos depois, ele terá outra. Dessa vez vou fingir que não sei, pois não vou achar que vale a pena armar um barraco. E vou viver o resto dos meus dias às vezes desejando que meus filhos tivessem a vida que eu não tive… outras vezes, satisfeita por suas vidas se tornarem reprises da minha. Eu estou bem. Verdade." (Verônica Decide Morrer)

Para não desanimar, outro trecho que achei perdido na net. Desconfio da autoria.

"O MELHOR DO NAMORO É QUANDO ACABA
É poder olhar com bons olhos aquela pessoa que você passou a odiar tanto.
O melhor do nó é desatar.
Bom é se entender.
Não que eu queira tudo pronto mas o silêncio é um alívio.
E a melhor coisa do melhor dia da sua vida é quando chega a hora de dormir."
(Pedro Rocha)

sexta-feira, 12 de março de 2010

"Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"
(Vinícius de Moraes)
Perfeito.

"...uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso."
(Clarice Lispector)

quarta-feira, 3 de março de 2010

É lindo...


"Veneza, 12 de Maio de 1834

Meu menino querido, estas três cartas não são a despedida da amante que te deixa,
é o abraço de uma irmã que ficou.
Este sentimento é lindo demais, puro demais e doce demais para que eu possa sentir vontade de acabar com ele.
Que a lembraça de mim não envenene nenhuma felicidade da sua vida mas também não deixe que estas felicidades destruam a recordação de mim.
Seja feliz, seja amado. Como você não seria? Mas me guarde dentro de um pedacinho do seu coração e desça para dentro dele nos dias de tristeza para aí encontrar uma consolação ou a coragem.

Ame, meu Alfred. Ame para sempre, ame uma mulher jovem, linda, que ainda não tenha amado. Que ainda não tenha sofrido. Não a faça sofrer. O coração de uma mulher é uma coisa tão delicada quando não é um pedaço de gelo ou uma pedra....
Eu não acredito que existe um meio termo aqui, nem na sua maneira de amar. A sua alma foi criada para amar ardentemente ou para secar completamente. Você me disse isso cem vezes e tentou desdizer mas nada apagou esta frase.

Quem sabe você me amou com dor para vir a amar uma outra com abandono. Quem sabe esta que virá te amará menos do que eu mas quem sabe ela será mais feliz e mais amada.

Quem sabe o seu último amor será mais romântico e mais jovem. Mas não mate o seu coração, o seu bom coração, eu lhe peço. Entregue ele por inteiro em todos os amores da sua vida, para que um dia, quando você olhar para tras, você possa falar, como eu falo: eu sofri muitas vezes, muitas vezes me enganei, mas eu amei.

AMANDINE LUCIE AURORE DUPIN
Textos, poemas, tudo o que eu achar interessante.

Sigam-me também no @cintiavanessa